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Biografia

Simone Bittencourt de Oliveira, conhecida apenas como Simone, (Salvador, 25 de dezembro de 1949) é uma cantora brasileira.

Convidada por sua amiga e professora de violão, Elodir Barontini, Simone participou de um jantar na casa do então gerente de marketing da gravadora Odeon, Moacir Machado, o Môa. Neste encontro, especialmente marcado para que ela mostrasse sua voz, ao final veio o convite para assinar um contrato, não para um, mas quatro LPs de uma só vez, para gravadora: Simone fez muito sucesso no teste e foi logo aprovada. O primeiro, Simone, gravado em outubro de 1972, teve uma produção de baixo custo e poucos músicos, regidos pelo maestro José Briamonte. O lançamento aconteceu em 20 de março de 1973 (considerada a data oficial do início da carreira), em São Paulo e Simone estreou no mesmo dia num programa da TV Bandeirantes. A primeira tiragem foi distribuída apenas para amigos, parentes e para o meio artístico; dez anos depois seria relançado com uma capa diferente. A participação no programa Mixturação, da Tv Record (abril, 1973), também foi aguardada com expectativa e Simone considerada um dos nomes mais promissores. O sucesso começava assim de forma gradual.
Antes de se tornar conhecida do público brasileiro, participou de uma turnê internacional organizada por Hermínio Bello de Carvalho, que incluía no roteiro o Olympia em Paris, e o Madison Square Garden, em Nova Iorque, além de Bélgica e Canadá. A turnê foi um grande sucesso e originou os discos Brasil Export 73 e Festa Brasil – ambos produzidos por Hermínio Bello de Carvalho, que ainda produziria os dois álbuns subseqüentes: Quatro paredes e Gotas d´água; neste último a produção foi realizada em parceria com Milton Nascimento.
No fim da década de 1970, mais precisamente em 1977, teve seu primeiro grande momento de sucesso com as canções Começar de novo, Face a face, Jura Secreta e O que será. Esta última foi gravada pela primeira vez em 1976 e fez parte da trilha sonora do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, protagonizada por Sônia Braga. No ano seguinte (16 de junho a 15 de setembro de 1978), seu nome estava entre os dos artistas do ambicioso Projeto Pixinguinha, e, ao lado de Sueli Costa, apresentou-se no Rio de Janeiro, Vitória, Salvador, Maceió, Recife e Brasília. Um excerto do Projeto comenta o progresso da carreira: "Em 77, além do lançamento do LP Face a Face e da trilha sonora do filme Dona Flor e seus dois maridos fez muito sucesso num espetáculo no MAM. No Teatro Clara Nunes, com direção geral de Hermínio Bello, apresentou-se em Face a Face. Em cada espetáculo vem se projetando e se coloca, no momento, entre as melhores cantoras brasileiras. Acabou de gravar Cigarra, com músicas de Gonzaguinha (Petúnia Resedá), Fagner e Abel Silva (Sangue e Pudins), Milton Nascimento e Ronaldo Bastos (Cigarra)." (Excerto by Funarte.)

Nos anos oitenta, que foram marcados pelo reconhecimento de grandes cantoras na MPB, firmou-se como uma recordista de público e de vendagem: seus discos voavam das prateleiras tão logo eram lançados e o nome Simone despontava como um dos maiores ícones da indústria fonográfica nacional. Anunciar seus shows num clube, casa noturna, ginásio ou estádio era garantia de sucesso e casa super lotada. A maior temporada ocorreu na tradicional casa carioca, Scala II, durante oito meses seguidos e o maior público já registrado é de 220 mil pessoas, em uma única apresentação, ao ar livre. O sucesso de público, de vendagem, os especiais de Tv e o repertório refinado situaram-na como um dos nomes mais importantes da fina flor da MPB; de cantora elitista, passaria, a partir de meados da década de 80, com a seleção de um repertório muito popular, pela fase mais obscura da carreira, enfrentando o estigma da crítica especializada que desmerecia a interpretação, arranjos e compositores escolhidos – foi a chamada fase brega, que marcou os anos 80 pela exacerbação aos apelos do romantismo. A despeito disso, manteve-se como grande vendedora de discos e alcançou enorme popularidade: fosse quem fosse o compositor, seu toque de Midas garantia um sucesso atrás do outro.

Aos 32 anos de idade realizou um feito histórico na MPB, tornando-se a primeira cantora a lotar sozinha um estádio, o Maracanãzinho, em 1981. Pioneirismo evidenciado em outras ocasiões como quando gravou, muito antes de Paul Simon ou Michael Jackson, com o Grupo Olodum da Bahia; ou quando, num de seus espetáculos, surpreendeu a platéia levando para o palco uma cama, um ano antes da pop star Madonna chocar o mundo com a mesma idéia. Em fevereiro de 1982 o espetáculo Canta Brasil levou ao estádio do Morumbi quinze a vinte mil pessoas por dia para assisti-la interpretando Milton Nascimento, Ary Barroso, Chico Buarque, Tom Jobim, Fernando Brant, Vítor Martins, Paulo César Pinheiro, Hermínio Bello de Carvalho, Isolda, Sueli Costa, Abel Silva. Em dezembro de 1983 parou a Quinta da Boa Vista onde mais de 150 mil pessoas foram assisti-la na primeira transmissão ao vivo da história da Rede Globo para um espetáculo de final de ano.

Ao longo desta década de oitenta os temas de amor romântico, paixão, foram amplamente explorados por diversos cantores(as) e compositores(as). Simone figura dentre elas e é por isso elencada na categoria de cantora romântica; seu repertório abrange cerca de 350 interpretações, um dos mais vastos e diversificados dentre as vozes femininas, compondo um verdadeiro mosaico de estilos.

O amor romântico ou idealizado, a paixão, (Começar de Novo, Jura Secreta, Corpo, Medo de Amar nº2, Raios de luz, Lenha), o samba (O Amanhã, Disputa de Poder, Ex-amor), e a religiosidade (Cantos de Maculelê, Reis e rainhas do Maracatu, Então é Natal, Ave Maria, Jesus Cristo) são os mais recorrentes em sua obra.

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