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Biografia

Influenciados por Tião Carreiro, Zé do Rancho, Tonico e Tinoco, Zico e Zeca, Vieira e Vieirinha, entre outros, Pena Branca & Xavantinho é o duo musical responsável pela aproximação do gênero com a e outros ritmos mais urbanos da música brasileira. Ao lado de Almir Sater, Rolando Boldrin, Inezita Barroso e o próprio Renato Teixeira, consolidaram a música caipira como folclórica, agregando erudição e conquistando o respeito de quem via esse gênero como menor. Ao lado de Tonico & Tinoco e Tião Carreiro & Pardinho, são os expoentes máximos da , podendo ser identificada ainda como . O gênero é pai do , hoje o ritmo brasileiro mais popular no mundo, por vozes como Zezé di Camargo & Luciano nos anos 90 e Michel Teló na atualidade.

Venceram o premio APCA de 1992 e Sharp de 1990 e 1992 com os álbuns Cantando Mundo Afora e Ao Vivo em Tatuí, este último com Renato Teixeira e a orquestra da cidade.

José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, nasceu em Igarapava-SP no dia 04/09/1939; e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, nasceu em Cruzeiro dos Peixotos, Distrito de Uberlândia-MG, em 26/12/1942 e faleceu em São Paulo aos 56 anos, em 08/10/1999. Criados na Região de Uberlândia no Triângulo Mineiro, eram filhos de Dolores Maria de Jesus, (a "Coitinha" como era carinhosamente conhecida), que lavava roupa para fora, e de Francisco da Silva, que trabalhava numa pequena lavoura que possuía e também criava algumas cabeças de gado em terreno arrendado.

Dona "Coitinha" cantava com Seu Francisco que também tocava Cavaquinho. Além de cantar, ela também marcava o ritmo com instrumentos de percussão que improvisava com cabaças de porongo e colheres de pau. Assim foi o primeiro contato musical dos meninos que aprenderam os primeiros acordes musicais no Cavaquinho do Seu Francisco, que faleceu repentinamente em 1950 quando José Ramiro e Ranulfo tinham apenas 11 e 8 anos respectivamente.

Sendo o primogênito, Pena Branca teve que assumir a responsabilidade do sustento da família. Dona "Coitinha" continuava com as improvisações dos instrumentos musicais, tendo inclusive confeccionado uma Viola feita de cabaça de porongo e sandálias velhas, cujas tiras de couro foram cortadas em fios finíssimos e fizeram a vez das cordas! E era ela quem mais queria que os meninos tentassem uma carreira artística, já que considerava a Música como sendo a "libertação" daquele trabalho rude e que seguia um sistema praticamente escravocrata.

Em 1953, durante a entressafra, José Ramiro foi trabalhar em Ituiutaba-MG como carregador nos frigoríficos e armazéns. Foi nessa época que comprou sua primeira Viola e formou com Zé Pretinho a dupla "Zé Miranda e João do Campo". E, quando voltava a época da safra, José Ramiro voltava prá casa e continuava o trabalho nas fazendas, onde nas horas de folga ensaiava com o irmão Ranulfo. Nesse trabalho, José Ramiro e Ranulfo não recebiam dinheiro, e sim "ordens de pagamento" ao armazém de secos e molhados da localidade.

Melhorando com o tempo o desempenho, começaram a participar de Folias de Reis, quermesses e bailes. Eram comuns também os mutirões em finais de semana, os quais sempre acabavam numa comemoração com comida, bebida, Música e Dança. E os dois irmãos animavam a festa.
Três anos depois desfez-se a parceria com Zé Pretinho. José Ramiro e Ranulfo continuavam os ensaios freqüentes, e começaram a desenvolver os estilos inspirados nas Duplas Caipiras da época. José Ramiro tocando uma "Viola de Craveia" e Ranulfo tocando um velho Violão emprestado de um amigo. E já se apresentavam em clubes onde muitas vezes "os palcos eram formados por mesas reunidas".

Em 1958, quando participaram do programa do Coronel Hipopota na Rádio Educadora de Uberlândia-MG, Brasil , o locutor cismou que "José e Ranulfo" (como eles se denominavam) "não era nome de dupla". Contra a vontade dos dois irmãos, anunciou no microfone da emissora a dupla "Peroba e Jatobá". José e Ranulfo não gostaram do nome, apesar da insistência do Coronel Hipopota. Na apresentação seguinte adotaram os nomes de "Barcelo e Barcelinho". Não satisteitos, mudaram o nome para "Xavante e Xavantinho", lembrando das aulas de História na Escola Primária, e homenageando também o Índio Brasileiro. Na época, os irmãos continuavam trabalhando como carregadores, o que possibilitou a compra de novas Violas. Eles se apresentavam em todos os lugares, e não recusavam nenhum convite. Ranulfo, o Xavantinho, também começou nessa época a escrever as suas primeiras letras.

Com o Sanfoneiro Pinagi formaram o "Trio Pena Branca", que em 1964 se apresentava em pequenas cidades do interior Goiano. Seu estilo era influenciado diretamente por Vieira e Vieirinha, e também por "Pedro Bento e Zé da Estrada", e "Serrinha e Ramón Perez". No repertório, canções típicas da Zona Rural Mineira, Polcas Paraguaias, Folclore Boliviano e Toadas Mexicanas. Desfez-se mais tarde o trio, porém os irmãos "Xavante e Xavantinho" continuaram a se apresentar, e concentraram seu trabalho entre o Triângulo Mineiro e a região Centro-Oeste do Brasil.

E, mais uma vez, tiveram que trocar de nome, pois havia aparecido um cantor de nome artístico Xavante, que formava um trio com Taquari e Otavinho e passara a exigir dinheiro para utilização do seu nome pela dupla "Xavante e Xavantinho". Desta vez então, os irmãos José e Ranulfo aproveitaram o nome do trio que haviam formado antes com Pinagi, o "Trio Pena Branca" e, a partir de então, José Ramiro passou a ser o Pena Branca, e Ranulfo, o Xavantinho, ficando a excelente dupla com o nome consagrado que chegou até nós, a despeito das descrenças do Coronel Hipopota que insistia em "Peroba e Jatobá" e afirmava também que com aquele "constante troca-troca" de nomes, a dupla não faria sucesso, embora soubessem cantar muito bem! Aliás, o nome definitivo da dupla nasceu já na Capital Paulista como será mencionado logo abaixo.

E na dupla, Xavantinho tocava o Violão enquanto seu irmão Pena Branca sempre foi o responsável pelo som da Viola Caipira. E o destino parecia estar traçado: em 1968, Ramiro e um motorista da transportadora na qual trabalhavam tiveram que ir recuperar a carga de um caminhão que estava a caminho de São Paulo e que havia caído em uma ribanceira no canal de São Simão no Estado de Goiás. Ao término do trabalho, Xavantinho decidiu "pedir carona" e seguir junto com o caminhão usado no socorro, rumo à Paulicéia Desvairada, "apenas com a cara e a coragem" e a roupa suja de lama no corpo, sem sequer avisar previamente a família… E prometeu ao irmão Pena Branca: "Mano, um dia vou tirar você daí".

Na Capital Bandeirante continuou trabalhando na filial da mesma transportadora, onde foi promovido a entregador de encomendas. Prosseguia com os ensaios nas horas de folga. Algum tempo depois, Pena Branca também foi para junto do irmão, chamado por ele através de uma carta, e passou a trabalhar na mesma empresa de transporte como conferente de carga. Os dois moravam na pensão da Dona Judite no bairro do Canindé. E começaram a se apresentar em São Paulo. Em 1969, integraram o grupo de músicos do "Rei do Laço", que era um clube de divulgação da Música Caipira, freqüentado por figuras importantes do meio, como os famosos e respeitados Tonico e Tinoco, e também a dupla, na época iniciante, Milionário e José Rico. Em 1970 conquistaram o quarto lugar num festival promovido pela Rádio Cometa e foram convidados a participar da gravação de um compacto, com a música vitoriosa, "Saudade". Foi inclusive na hora de receber esse prêmio que apareceu o cantor de nome artístico Xavante, já mencionado acima, que quis inclusive "vender o nome" para José e Ranulfo que não quiseram. Subiram então no palco e anunciaram que, a partir daquele instante, eles eram "Pena Branca e Xavantinho"!

Em 1975, passaram a integrar a Orquestra "Coração de Viola", em Guarulhos. Inezita Barroso, num belo dia, estava ensaiando com essa orquestra e percebeu o potencial de Pena Branca e Xavantinho: "Meninos, vocês têm um grande futuro, mas vocês só acontecerão se saírem daqui". Também a dupla Coração do Brasil, Tonico e Tinoco, foi fazer um show em Barretos-SP e eles perceberam o valor de José e Ranulfo: "Queremos esses dois meninos com a gente". No mesmo ano ainda, "Pena Branca e Xavantinho" foram contratados para se apresentar na Basílica de Aparecida do Norte-SP, nos finais de semana, num coreto montado junto à ferrovia. Os shows eram produzidos por Roberto de Oliveira, irmão de Renato Teixeira.
Em 1979, o mesmo Empresário Roberto de Oliveira, da gravadora WEA, procurava talentos para integrar o projeto do Selo Rodeio, um selo específico para músicas regionais. E veio o convite para um teste de estúdio após uma apresentação da dupla em Aparecida do Norte-SP. Houve, porém um desencontro e quando chegaram ao estúdio, foram informados de que Roberto havia viajado a negócios. O funcionário que os atendeu recebeu muito negativamente a música "Que Terreiro É Esse?" e detestou mais ainda as outras músicas que eles apresentaram. Nada foi feito e o funcionário aconselhou aos dois irmãos que "…pegassem a Viola e fossem prá casa ensaiar outras coisas, mudar o repertório…".
No ano seguinte, em 1980, seguiram o conselho de Roberto de Oliveira e se increveram no festival MPB Shell daquele ano, com a música "Que Terreiro É Esse?", a mesma que havia sido ridicularizada pelo funcionário da WEA. Na apresentação, no Maracanãzinho no Rio de Janeiro-RJ, interpretaram a música acompanhados de 16 Violeiros da Orquestra de Guarulhos mais um grupo de percussionistas. A platéia acompanhou com palmas, e a música foi classificada para as finais. Durante o festival, conheceram Renato Teixeira, Almir Sater, Diana Pequeno, e muitas outras "feras da MPB" com as quais criariam laços permanentes e importantíssimos.
Roberto de Oliveira, por outro lado, ficou surpreso quando soube da recusa do funcionário da gravadora, que, de acordo com o Empresário, teria sido um total descumprimento de suas orientações. E, para "reparar o incidente" o mais rápido possível, providenciou o lançamento do primeiro LP de Pena Branca e Xavantinho: "Velha Morada", incluindo a música que havia sido refugada: "Que Terreiro É Esse?". No entanto, foi outra música a que mais chamou a atenção da crítica e do meio musical: o célebre "Cio da Terra" de Chico Buarque e Milton Nascimento.
E a iniciativa para esse "Casamento Harmonioso" partiu de Xavantinho: ele gostava do "Cio da Terra" de Chico e Milton e insistia que a música podia ser gravada em dueto, com as vozes terçadas. Para Pena Branca foi difícil "encontrar a segunda voz", mas o resultado valeu a pena: o "casamento" foi finalmente consagrado! Renato Teixeira já havia iniciado o "casamento" entre a MPB Urbana e a Música Caipira; Pena Branca e Xavantinho consagraram este casamento, seduzindo um "público da cidade grande" a um novo estilo na MPB e mostrando também ao interiorano "novos filões". Bom para ambas as partes…
E começaram os convites para programas de TV. O primeiro veio de Rolando Boldrin, que chamou os irmãos do Triângulo Mineiro para a estréia do inesquecível Programa "Som Brasil" na Rede Globo em 1981. Rolando Boldrin tinha conseguido localizar José e Ranulfo num "quarto e cozinha" em Guarulhos-SP.
No mesmo programa, juntamente com o próprio Milton Nascimento, cantaram "Cio da Terra". "Naquele dia ficamos muito nervosos, mas deu pra agüentar durante a gravação, só depois, no camarim, é que a gente não agüentou a emoção e começou a chorar…".
Em 1982, gravaram o segundo disco, "Uma Dupla Brasileira", o qual foi produzido por Rolando Boldrin, conforme já mencionado na página dedicada ao "cantadô". E começaram a viajar pelo Brasil, dentro do projeto "Som do Brasil". Durante este período, assimilaram também novos ritmos, incorporando-os ao seu estilo musical. Para nossa felicidade, esse LP foi remasterizado em CD e se encontra disponível!
Nesse ano cantaram juntamente com Milton Nascimento, no show "Trinta Anos da Anistia Internacional", em Curitiba-PR, realizado na famosa pedreira Paulo Leminski, famosíssima pela sua "acústica natural" e que reuniu vários artistas a fim de angariar fundos para a entidade. Na mesma "pedreira" também já se apresentaram outros músicos mundialmente consagrados, como por exemplo, o Tenor Catalão José Carreras!
O terceiro disco, "Cio da Terra", só veio cinco anos depois, em 1987, na Continental, e desta vez, "derrubando todas as barreiras" entre Música Caipira e Urbana", consagrando o "Harmonioso Casamento de Estilos" de nossa Boa Música Brasileira. Gravaram Luiz Gonzaga, Lupicínio Rodrigues, Tavinho Moura e Wagner Tiso, sempre com versões inovadoras.

A dupla encerrou sua carreira em outubro de 1999, com a morte de Xavantinho. Pena Branca continuou em carreira solo, mas no dia 8 de fevereiro de 2010, faleceu aos 70 anos, vítima de infarto

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