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Depois de Ressentimentos II, Diomedes Chinaski está de volta com a mixtape Comunista Rico. Focado em uma sonoridade que o próprio MC define como "experimental" ou "pós-trap", o disco reúne um time de craques para dividir o espaço nas faixas com ele: Cacife Clandestino, Don L, Zaca de Chagas, A Orquestra Imaginária, Raffa Moreira, Djonga, Coruja BC1, Jovem Esco, Makalister, Síntese, Nego Max e Luiz Lins. Composto por 12 músicas, que tem direção executiva assinada pelas minas da Aqualtune Produções e produção de nomes como Dario, Mazili e JNR Beats.

Em Comunista Rico — e se você arriscou que o título vem de uma alusão ao som "Aquela Fé" do Don L, parabéns, acertou — Diomedes cria um universo baseado nessa expressão. No disco, ele parte da premissa de que o sistema político idealizado por Marx no século XIX, adaptado a nossa realidade de hoje, funcionaria de um jeito contrário do que os opositores dizem: ao invés de ninguém ter nada, todos teriam acesso aos bens de consumo, as coisas boas da vida e as maravilhas do mundo moderno. Não à toa a faixa homônima tem como refrão "Nenhuma lágrima mais mãe / Nenhuma lágrima mais mãe / Livro de Marx / Cordão de ouro / Comunista rico".

Segundo Diomedes, o disco não foi muito planejado. Feito em apenas três meses, a ideia surgiu quando ele e sua produtora, Tássia Seabra, estavam trampando em São Paulo. Ela ouviu algumas coisas que o rapper tinha gravado e achou que seria legal fazer uma mixtape. Apesar de durante parte de sua carreira viver numa grande ansiedade, soltando vários singles, o MC conta que as coisas deram uma mudada agora. "Na mixtape usei músicas que já tinha feito com outras novas, para amarrar o conceito. Tô aprendendo a controlar a ansiedade e compreendi, depois de estudar grandes nomes como Kanye e Kendrick, como fazer obras grandiosas. A Aqualtune, produtora formada apenas por mulheres negras, foi muito importante nesse processo também. Eu não conseguiria fazer isso acontecer sem elas", explica Diomedes.

Sobre a estética de Comunista Rico, Diomedes diz: "Não diria que é trap. Diria que é experimental, pós-trap. Tem trap, mas não tem um instrumental que não flerte com outras sonoridades. É tudo peculiar". Nesse xaveco poliamoroso com outros estilos, o rapper pernambucano até aplacou um funk com participação do paulistano Coruja BC1. "Sei que vai ter alguém reclamando. Gosto disso. O escritor maldito faz isso. Bukowski fez isso. Eu amo funk e tudo que é da favela. As pessoas tem que entender que a minha alma é a favela. Eu vim daqui. Sou um moleque de Pernambuco, não de Atlanta. Estávamos preocupados com as mulheres, mostramos para as minhas produtoras e elas liberaram. Espero que dê certo."

Dois pontos no disco ficam claros: de um lado, o artista falando bastante sobre relacionamentos de um jeito bem inspirado pelo velho safado; de outro, o MC apontando sua caneta para os problemas que sempre o incomodaram: racismo, capitalismo e uma política de extermínio dos jovens da periferia. O resultado disso é uma montanha russa de emoções. "Bukowski é igual a mim. A vida também. Eu herdei do meu avô paterno e do meu pai a eterna vida de mulheres, álcool e problemas. Nós do gueto somos doentes. Somos adoecidos. Hereditariamente problemáticos. porque 'eu odeio ser bipolar. É incrível', porque mesmo que o rap me traga algo, continuamos escravos, porque mesmo que eu me deslumbre, não me esqueci o real motivo de estar aqui."

Muitos podem estranhar porque com uma carreira que começou no rap tem um tempo, Diomedes nunca chamou nenhum de seus trampos de álbum e mesmo que seu novo trabalho tenha 12 faixas, o dobro do EP lançado ao lado de DJ Caique ano passado, ele usou o termo mixtape. Para o artista, colocar na rua um álbum tem que ser algo muito maior, inclusive em termos sonoros. "Vou voltar a São Paulo agora pra trabalhar nisso, não quero mais fugir tanto do rap como queria antes. Agora vou usar os instrumentos para engrandecer os beats e flertar com o orgânico, além de outros gêneros, mas quero dominar o rap. Eu acho que um álbum tem que ter letras mais profundas. Na mixtape eu escrevo na hora e gravo, mas ainda assim está no nível", explica.

Os fãs do Aprendiz que curtem Bolsonaro — apesar disso não fazer nenhum sentido — vão se atacar um pouquinho assim que ouvirem a mixtape, se é que isso não rolou com o título do trabalho. Em "Fake Bitch", Diomedes chama o pré-candidato a presidência de doente, meio que na onda que rolou em "Cocada de Sal". Na época, um monte de moleque foi xingá-lo no YouTube, entretanto, o MC revela que não tem medo de que isso atrapalhe sua carreira. "Não acho que a palavra seja prejudicar, por ser um público que não me identifico. Eles apoiam políticas que mataram e continua matando meus amigos".

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