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Biografia

Nascido em Porto Alegre em 28 de março de 1947, Carlinhos Hartlieb foi talvez o mais importante nome da cena musical gaúcha na segunda metade dos anos 60 à primeira metade dos 80. Não só por seu trabalho de compositor como pela atividade de líder cultural.

http://www.carlinhoshartlieb.com.br

assista ao documentário
http://mediacenter.clicrbs.com.br/templates/player.aspx?uf=1&contentID=38502&channel=45

Estava no sangue: filho de imigrantes alemães, seu avô (do qual herdou nome e sobrenome) dirigia a Casa Hartlieb, pioneira no comércio de instrumentos musicais, partituras e discos na Porto Alegre do início de século 20 – e onde também aconteciam movimentados saraus animados pelas tias, uma pianista, outra cantora. E o pai de Carlinhos foi quem lhe deu o primeiro violão.

Apaixonado pela Bossa Nova e logo pelos Beatles, ele ensaiou as primeiras composições em 1965. Mas tinha outra paixão, a natureza, e nela o gosto especial pelo mar e pela observação das aranhas. Em 1966, na hora do vestibular, escolheu o curso de História Natural da UFRGS, que abandonou em 1968 para estudar Comunicação na USP, também não concluído porque a música e o teatro acabaram falando mais alto. Os cinco anos que viveu em São Paulo, de 1968 a 1973, foram determinantes em sua trajetória. Lá decidiu que seria mesmo artista, em meio a agitação política na universidade e o furor provocado pelo surgimento do tropicalismo.

Envolvido pelos novos ares, vem a Porto Alegre, em 1969, para participar do II Festival Universitário da MPB, promovido pela Faculdade de Arquitetura/ UFRGS. Em meio a várias músicas de influência tropicalista, leva o primeiro lugar com Por Favor, Sucesso, que cantou ao lado do grupo de rock mais notório da cidadde, o Liverpool. A vitória o classifica para participar do III Festival Internacional da Canção, no Rio. Como também seus amigos Hermes Aquino e Laís Marques estavam em evidência em São Paulo, a imprensa abre páginas para eles, dizendo que “agora o tropicalismo vem dos pampas”. Mas aí o AI-5 patrolou tudo.

Em 1970, Carlinhos viaja pela América Latina como músico e ator do Tuca, o Teatro Universitário da Faculdade Católica de São Paulo – que se notabilizara pela montagem de Morte e Vida Severina, poema de João Cabral de Melo Neto musicado por Chico Buarque. Na viagem, toma contato com a realidade social, o folclore e os ritmos sul-americanos. (Maria da Paz, sua música de maior sucesso, lançada no LP Paralelo 30, em 1978, e na qual toca charango, é filha direta daquela vivência). A experiência no TUCA vale o convite do célebre diretor José Celso Martinez Corrêa que passasse a integrar o teatro Oficina.

Foram dois espetáculos com o Oficina. Mas já “louco pra voltar pra casa”, no final de 1973 Carlinhos topa o convite do diretor gaúcho de teatro Luiz Arthur Nunes para trabalhar com ele. Reambientado, em maio de 74 estréia no Teatro de Câmara seu primeiro show em moldes profissionais, Toque. “O show, quer ser, a cada dia, uma descoberta viva da alegria e do amor sepultados na torrente do cotidiano”, disse a Zero Hora, que também registrou a opinião do Repórter: “Toque pode ser o elemento que falta pra que outros músicos formam seus grupos e a cultura do rock se estabeleça aqui, com dados familiares, mais claros e definidos”.

E então, vendo que havia muita gente nova sem espaço para mostrar seu trabalho na cidade, Carlinhos idealiza as Rodas de Som. Uma idéia aparentemente maluca: shows com desconhecidos, sexta-feiras à meia- noite. Mas as rodas tornam-se um fenônemo desde a estréia, com o Bixo da Seda. Centenas de pessoas sufocadas dentro do Teatro de Arena, centenas lá fora querendo entrar. Sim, faltava espaço; sim, havia um público aberto as novidades. As Rodas, e a Rádio Continental, transformando desconhecidos em sucesso, marcam um antes e depois na música de Porto Alegre. Está lá, nos anos de aprendizado, a gênese do que viria.

Na segunda metade dos 70, Carlinhos solodifica seu trabalho de compositor e seu estilo, mescla de rock, MPB e folclore gaúcho, em espetáculos como M’Boitatá e Sonho Campeiro, este apresentado em 37 cidades, com apoio da SEC. Foram precursores de uma linguagem multimídia que unia música, dança, teatro e projeção de slides. Desbravada por ele, esta nova música gaúcha se materializaria no LP Paralelo 30 (que lançava a gravadora ISAEC), com ele, Bebeto Alves, Nelson Coelho de Castro, Raul Ellwanger, Cláudio Vera Cruz e Nando D’Avila. E no show Voltas, do mesmo ano, ao lado de Bebeto Alves e Cao Trein.

O lado de agitador, líder e precursor seguiu em frente. Em 1979, atuando como produtor do Departamento de Assuntos Culturais da SEC, Carlinhos idealizou o Projeto Lupicínio, com shows semanais ao ar livre no centro de Porto Alegre, e coordenou uma caravana de músicos gaúchos que se apresentou em São Paulo. Já como diretor da Discoteca Pública Natho Henn, além de livrá-la do mofo anterior, liderou em 1982 outra turma, desta vez para o Rio, dividindo a produção com Ayrton dos Anjos: três dias de shows no palco nobre do Teatro João Caetano. Foram as primeiras apresentações coletivas de gaúchos em outros estados.

No meio disso, continuava com os shows e a música para teatro. Até que, em março de 1983, saiu da Discoteca pra trabalhar em seu primeiro disco individual, Risco no Céu, cujas gravações terminaram em novembro. Viajou ao Rio para oferecer a fita às gravadoras, sem sucesso. Resolveu descansar na Praia do Rosa, em Santa Catarina, deixando a batalha com a gravadora para março. O destino impediu: em 3 de fevereiro de 1984, seu corpo foi encontrado na casinha de madeira que construíra, uma das primeiras do Rosa ( onde Iria Pedrazzi fez a foto da capa). As circunstâncias da morte nunca foram esclarecidas.

Risco no Céu só seria lançado em dezembro de 1988, por iniciativa da recém criada Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre e o apoio decisivo de – ele de novo – Ayrton dos Anjos. Devido à pequena tiragem, o LP acabaria se tornando objeto de colecionador (vendido hoje, em sites da internet, a 50 reais). Mas graças à participação de muita gente, entre velhos e novos amigos, instituições e empresas, volta agora sob a forma de CD, com nova mixagem e o acréscimo da faixa bônus. Quem estiver lendo esse texto já ouviu o disco e concordará: a música de Carlinhos permanece em dia. É bela, atual e quase inédita. Quem sabe agora deixe de sê-lo?

Juarez Fonseca

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