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“Auto Rádio” é um disco feito para que todas as pessoas consigam compreender. Pessoas que não precisem de ser ensinadas numa outra língua porque lhes basta uma, a que falam todos os dias. Acima de tudo, é um disco em busca da identidade que parecia adormecida mais a norte da Europa, à procura das histórias que não existem em mais parte nenhuma do mundo.

Trata-se de organizar as memórias daquele que é um dos filhos do Portugal colonial – o pai veio de Angola depois de 74 – e alia as memórias que lhe foram transmitidas pelos filmes de Super 8 ou pelas longas histórias à mesa, pelo amigo Quinito que passa a vida a falar no dia em que foi enviado para a Guiné para lutar numa guerra que ficava demasiado longe do Alentejo, para falar da crise, do Porto que lhe vem do lado da mãe, do amor, de carros a acelerar pela marginal de uma qualquer cidade e para pôr pessoas a dançar numa quase esquecida vila alentejana e mostrá-lo ao mundo.

"Auto Rádio" também é uma ode de amor à sua Volkswagen Golf de 96 que usou para percorrer o país a tocar durante 33 dias seguidos, em 33 pontos diferentes do país. O carro é o fiel companheiro de viagem, onde tanta música se ouviu através das suas colunas de som duvidoso já cansadas pelo tempo. Daí vêm as referências ao Duo Ouro Negro, à Lena d'Água, ao Chico, ao Zeca como ao Dylan que lhe encheu a juventude de sonhos de uma terra distante, aos Beatles, aos Beach Boys e a todas as coisas que o fizeram mexer.

No fundo, é a tentativa de explorar um universo novo que se abre à frente e o reaprender a escrever canções. E também por isso tem o lado esquizofrénico da despreocupação em arranjar um fio condutor sónico. As canções entram umas pelas outras como acontece nas melhores viagens, quando o rádio nos vai alimentando as canções ao sabor da paisagem. Vai dos oito aos oitenta e não existe qualquer espécie de complexo musical, tudo é válido neste disco, tal como na vida.

Porque nada é feito na solidão total, o álbum conta com a participação dos amigos de sempre: António Vasconcelos Dias que deu uma fundamental ajuda na produção, João Correia e Nuno Lucas na secção rítmica mais sólida da história, Pedro Girão (também desconhecido como Baga), Jónatas Pires (Os Pontos Negros), AP Braga (o baladeiro de Lisboa) que canta na única versão deste disco, José Maria Gonçalves Pereira (saxofonista de muitas bandas), Ernesto Silva (Pista) e o radialista Pedro Ramos.

As fotografias são do Gonçalo Pôla, realizador do vídeo da canção "Os teus passos".

Sobre o Benjamim

Benjamim já não é Walter Benjamin.

O escritor de canções que passou quatro anos radicado em Londres voltou para Portugal em 2013 para se instalar no coração do Alentejo sem passar pela sua casa partida: Lisboa. Veio para escrever canções novas e revolucionar a sua maneira de olhar para o mundo. Construiu o seu estúdio em Alvito e começou a dar vida às novas canções que enchem o seu novo (e agora primeiro) disco “Auto Rádio”.

Luís Nunes, nome de baptismo, voltou pela necessidade de escrever na sua língua, reflectir sobre o seu universo específico, falar sobre as pessoas que existem no seu dia-a-dia sem a barreira da linguagem.

Benjamim voltou às raízes.

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