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Review: 09 Jul 2009 - Optimus Alive! @ Algés

11 Jul 2009, 11:56

Thu 9 Jul – Optimus Alive! 09



Foi marcado para dia 9 de Julho um dos melhores cartazes de metal mainstream que alguma vez se viu em terras lusitanas e dezenas de milhares de pessoas não deixaram de marcar presença. Para além desta maré negra de pessoas, também se viu quem fosse ver outros grandes destaques no palco secundário como TV on the Radio, Klaxons e os surpreendentes Crystal Castles, que lamento não ter visto. As minhas atenções estavam focadas apenas no palco principal e foi por lá que me mantive ao longo das 6 actuações.

O dia adivinhava-se louco, enquanto se caminhava em direcção ao recinto. Achei os acessos um pouco complicados, mas pouco liguei naquele calor todo para conseguir uma entrada rápida. Após cerca de 25 minutos, lá fui entrando. Achei a segurança pouco rigorosa comparada à de outros festivas que tive oportunidade de ir. Nota positiva para a banda de covers que actuava no cimo da entrada, que me fez entoar clássicos dos Iron Maiden. Entrei então, no Optimus Alive!



De forma pontual, começou assim a primeira actuação no palco principal. Foram os portugueses RAMP abriram as hostes e deram as boas-vindas aos Metallica. Apesar da grande movimentação do vocalista Rui Duarte e do resto da banda pelo palco, apenas alguns pareciam estar realmente a encarar Ramp como uma banda qualquer do cartaz, entoando alguns refrões enquanto o headbang era a palavra-chave. A banda abriu com uma música do novo álbum, Visions, chamada Blind Enchantment. A banda acabou por rasgar os vários álbums que editou e tocaram clássicos da sua discografia como How, Hallelujah e Black Tie. Na escassa meia-hora de actuação, houve tempo para algumas manifestações de carinho pela banda, como a exibição de um cachecol do Paio Pires F.C., já que a banda é oriunda do Seixal. Nota negativa para o som, que por vezes afogava a voz de Rui Duarte e transformava os riffs num som caótico e bastante confuso. Apesar disto, foi uma actuação razoável e já se ansiava por Mastodon.



Novamente de forma pontual, às 18h20, deu-se início à actuação dos americanos Mastodon. Foram eles que me fizeram dar os 50€ e estar presente em Algés para este evento, portanto foi de longe a banda que mais ansiei e esperei. Um grande fundo com a capa do excelente novo álbum Crack the Skye combinou com a grande ovação após a primeira nota de Oblivion. Estava bastante bem situado, nas primeiras filas, a adorar cada momento da progressão da música dos Mastodon e o público mantinha-se calmo. Dado o fim desta música, grande explosão do público que me fez recuar na plateia - tinha começado The Wolf Is Loose. Constantes movimentações de mosh e crowd surfing confirmavam a loucura. E sim, deu para ver o barquinho de borracha do MarcioMastodon (user do last.fm, para quem não esteve informado na shoutbox). Seguiu-se Crystal Skull, também do álbum Blood Mountain e deu-se mais uma explosão de loucura no público..mas a maior de todas ainda estava por chegar - Blood and Thunder. Bastaram alguns segundos e o caos já estava instalado! Grande momento de punhos no ar a entoar o refrão white whale - holy grail!, foi um dos grandes momentos da tarde. Seguiram-se duas das minhas músicas preferidas do novo álbum - The Czar e Crack the Skye. O público acalmou um pouco nos "curtos" 10 minutos da primeira música, mas na segunda já se viram mais movimentações de crowd surfing. Outra nova explosão para uma mais uma faixa do álbum Leviathan - Iron Tusk. O caos mantinha-se e, sem parar, a banda misturou esta música com a faixa que fecha os concertos - March of the Fire Ants. Nem deu tempo para digerir a Iron Tusk, já esta música estava a fazer espalhar mais insanidade. Grande fecho de uma actuação curta (40 minutos), mas que fez valer a pena pela loucura. Sem uma única palavra ao longo do concerto, ouviu-se baixinho um thank you saído do palco. De forma fria, como sempre, os Mastodon agradeciam toda a apoteose gerada em Algés. Nota negativa para o péssimo som, mais uma vez. Pareceu ainda pior que Ramp e mal deu para perceber a voz de Brent Hinds e Troy Sanders. Foi sem dúvida a actuação da tarde para mim, que me fez matar as saudades da banda desde o concerto no Super Bock Super Rock em 2007.



Era a vez de Lamb of God e foi aqui que percebi as más condições do festival. O recinto era realmente precário e difícil e som parecia ainda piorar mais assim que começou o concerto. A banda começou o concerto com as 3 primeiras músicas do novo álbum Wrath - The Passing, In Your Words e Set To Fail - e já dava para perceber pelos ecrãs gigantes como os circle pits reinavam a plateia de forma a receber a estreia desta banda em Portugal. Ainda assim, as coisas ainda se encontravam algo calmas enquanto eram temas do novo álbum. Após Set To Fail, foi hora de Walk With Me In Hell, que fez milhares de pessoas saltar e gritar o refrão do primeiro tema de Sacrament. Começava então a aquecer e seguiu-se um tema do meu álbum preferido. Randy Blythe entoava, em conjunto com o público, Now You've Got Something To Die For. Seguiu-se uma das minhas preferidas, Ruin, e o final aproximava-se. Mais uma curta actuação e o som que não melhorava por nada. A voz de Randy parecia voar em direcção do Tejo e as guitarras de Morton e Adler pareciam abafar, por vezes, o resto do som. Dead Seeds deu início à recta final do concerto, que pareceu realmente muito curto em relação a todos os outros. Laid To Rest libertou muito suor na plateia e permitiu à maior parte das vozes do público gritar see who gives a fuck! Redneck deu para mais uns circle pits mas o ponto máximo da confusão em Algés estava para chegar em Black Label. O pouco tempo de Lamb Of God não deu para organizar um wall of death como deve ser e a actuação acabou por ficar aquém das expectativas. Não foi uma má estreia da banda em terras lusas, mas ficou-se com a sensação que podia ter sido bem melhor.



Começava então Machine Head. Abrindo o concerto com Imperium, desde cedo que se percebeu que som piorava ainda mais à medida que a intensidade do vento aumentava - o som fugia, literalmente. Haviam momentos de grande bass de abafo do vento sobre o som e depois rasgos de treble que estremeciam nos ouvidos quando o vento acalmava. Foi em Machine Head que deu para entender que, tal como Lamb Of God, as palavras dirigidas ao público funcionavam como cassetes e repetia-se de forma igual em todo o lado do mundo. Os headbang motherfucker, os wow e os fucking amazing ditos por Rob Flynn já não me convenciam e foi o cúmulo da sensação americanizada das actuações. Havia pouca sinceridade, tal como em Lamb Of God quando Randy Blythe disse que o Alive era o festival mais louco onde estariam a tocar em todo o Verão (tretas, vão dizer o mesmo nos outros todos). Posto isto, seguiram-se músicas como Ten Ton Hammer e Beautiful Mourning, que permitiu um enorme fuck you all!!! existente na introdução da música. Foi vez da repetitiva introdução de Old, em que Rob Flynn repete em todos os concertos aqueles movimentos de esquerda para a direita, da direita para a esquerda, fazendo o público saltar ao som do riff desta música do álbum Burn My Eyes. A seguir foi tempo, então, para mais uma música do álbum The More Things Change... - Struck A Nerve. Foi aqui que Rob pediu mais circle pits e as habituais movimentações do público. Seguiu-se então, de forma a torcer o nariz, Bulldozer. Ao colocar uma música do Supercharger, entendeu-se que a setlist do ano passado, no Rock In Rio, teria sido quase de impossível repetição. Machine Head injectaram então uma nova dose do álbum The Blackening ao introduzir Halo. Ganhou-se um novo ânimo mas dada altura do solo de Phil Demmel começava a fugir com o vento e foram notados algumas falhas performativas. Foram dados vários pregos nos solos, coisa que era perfeitamente lamentável. Após a faixa final Davidian, fiquei com a ideia de que Machine Head dão bons concertos, pena serem todos iguais em todo o lado do mundo. Eles próprios apelam tanto ao público que se torna cansativo a presença em palco igual em qualquer ponto do mundo. Faltou sinceridade e real ligação com o público português. Foi para mim, à excepção de Ramp, a pior actuação do dia.



Chegou a vez de Slipknot. Era, talvez, a banda americana que menos ansiava ver. Após a habitual intro, deram início ao concerto com (Sic). Seguiu-se então Eyeless, também do primeiro álbum (Slipknot), e instalava-se a nostalgia em mim. Não ouvia Slipknot há vários anos e recordaram-me várias frases e refrões das suas músicas. Mantendo a linha do primeiro álbum, foi vez de Wait And Bleed fazer ovacionar a banda enquanto se cantava o refrão para iniciar a música. Grande momento e o calor fez-se sentir! Seguiu-se mais uma grande ovação para Before I Forget. Seguiram-se duas músicas do mais recente álbum, All Hope Is Gone, onde os mais novos fãs (sim, imensos rapazinhos com idade menor a 14/15 anos) cantaram e mostraram saber apenas o presente da banda e pouco/nada do passado. Depois de Sulfur e Dead Memories, foi vez da primeira música do Iowa neste concerto - Disasterpiece. Depois mais um bom momento dos sub-15 para a Psychosocial, mas onde todos os fãs se fizeram ouvir no refrão. Começava então a recta final do concerto e a euforia aumentava a cada música, com Corey Taylor a dar início a Duality. Sem dúvida grande introdução entoada pelo público. Destaque para a plataforma de Shawn Crahan, que se elevava e rodava enquanto este fazia percussão. People = Shit e Surfacing marcaram também a recta final até ao grande momento de Spit It Out. A habitual movimentação no final da música a que o Corey chama de zero bullshit test, onde grava o momento em que várias pessoas se encontram de cócoras e saltam no momento em que grita jump da fuck up! Posto isto, a bateria de Joey Jordison encontrava-se no alto, inclinando-se em 90º e rodando enquanto Joey continuava a tocar. Foi em grande que terminou Slipknot, onde o som já estava em boas condições e já fazia sorrir milhares de fãs. Tempo também para se ouvir 'Til We Die como fecho, em forma de cassete. Ainda que não seja nada fã desta banda, afirmo que foi um dos melhores concertos do dia.



Com cerca de 5 minutos de atraso (o concerto mais pontual dos 3 que já assisti deles), a faixa Ecstasy Of Gold de Morricone deu entrada aos cabeça-de-cartaz Metallica. Abrindo com uma das minhas músicas preferidas deles, Blackened, em vez da habitual Creeping Death, deu para prever que a setlist iria ser diferente do que já tinha visto e ainda bem que assim foi. Seguiu-se For Whom the Bell Tolls, que deu para recordar o concerto de 2007. Holier Than Thou e Leper Messiah saíram um bocado amargas na setlist, mas bastante aceitáveis comparadas às músicas seleccionadas no Rock In Rio 2008. Grande momento foi a música que se seguiu..a minha balada favorita que combinou de forma perfeita com a entrada no dia 10 de Julho (começou pouco antes da meia-noite) e com relações pessoais. Não havia melhor música para aquele momento - Fade to Black. Seguiram-se duas músicas do mais recente álbum Death Magnetic, que foram entoadas de forma alegre. Após Broken, Beat & Scarred e Cyanide, foi vez de Sad But True. Apesar de apenas 4 músicas do Death Magnetic ao longo do concerto, deu para reparar que foram bem introduzidas e misturadas com as músicas dos primeiros álbums. Seguiram-se One, All Nightmare Long e The Day That Never Comes, onde muitos fãs mais novos e do material recente deles se deve ter sentido mais familiarizado com o que seguiu - Master of Puppets. Lars Ulrich estava a ter uma prestação bastante notável na sua bateria, realmente. Estava a ser, provavelmente, a melhor prestação dele das 3 vezes que os vi...até que cometeu um grave erro no interlúdio da música que dá nome ao 3º álbum deles. O momento mais surpreendente da noite para mim foi logo a seguir, com a entrada da música Fight Fire With Fire. Sendo a primeira música do meu álbum preferido deles, não podia deixar de estar contente com o facto de a tocarem. Esta música fez-me realmente sorrir, com vários momentos pirotécnicos. Após mais 2 inevitáveis músicas do chamado "Black Album", Nothing Else Matters e Enter Sandman, várias pessoas começaram a ir embora após a despedida no final de Sandman. Certamente eram as pessoas que estavam a ver Metallica pela primeira vez e não sabiam da existência de encores. Estes voltaram para mais uma manifestação de fetish de covers de Misfits, com Die, Die My Darling. De facto, mais um momento surpreendente estava a para vir com uma música que ainda me escapava do álbum Kill 'Em All - Whiplash. Sem dúvida, acabava de perdoar a má setlist do Rock In Rio e sentia-me satisfeito com o concerto que acabava de presenciar. Após Seek & Destroy, foram dados os habituais agradecimentos de Hetfield e companhia. Momento engraçado, mais uma vez, das palavras de Trujillo ao dizer tantoz malucoz! Lars, tal como nos anteriores dois concertos, referiu que voltavam em breve. Se for em 2010, já duvido que vá..vai depender muito das bandas de abertura tal como neste Optimus Alive! Foi dado o fim à actuação agradável de Metallica, onde o som já roçava a perfeição e se fez valer o dinheiro dado pela tarde negra.

Acabou assim um dia que esperava ser bastante melhor. Um pequeno sentimento de desilusão devido a algumas prestações ao longo do dia e uma enorme insatisfação e frustração com a organização. Não só pelo som, mas pelo recinto. Espero não ter que voltar a este festival, e mesmo que tenha vontade, vou tentar evitá-lo. Os acessos bastante complicados, o preço bastante exagerado do bilhete, a qualidade do recinto e a entrada para as casas-de-banho foram completamente desprezíveis. Para quem foi, sabe como foi todo o dia e tem certamente algumas opiniões diferentes nas actuações, mas duvido que alguém manifeste satisfação em relação à organização. Para quem não foi, posso dizer que pelo preço que se pedia..não perderam muito. Fez bem quem não foi pelo preço, pois alimentar as gentes da Everything Is New com preços abusivos e depois sermos retribuídos com aquelas condições precárias...

Tenho pena no que o dia se tornou quando só dependia da qualidade da organização. Deu também para se comprovar que o cartaz não é tudo e que há outros aspectos que fazem parte do dinheiro dado pelo bilhete. Desilusão.

Comments

  • metalmen666

    análise bem feita... mas discordo contigo em certas partes. MACHINE HEAD gosta mesmo de cá vir. vi isso numa entrevista ke eles deram pá KERRANG! se não me engano e a revista nem portuguesa é. SLIPKNOT faltava la o Chris. e em METALLICA as escolhas até foram boas. a Holier Than Thou e a Leper Messiah até são músicas bastante fixes de serem tocadas ao vivo. mas sim é uma bastante boa análise

    11 Jul 2009, 12:24
  • slayerus_

    Nunca disse que eles não gostavam de cá vir! Aliás, qualquer banda gosta de cá vir..somos um grande público! Esqueci-me de referir que faltava o Chris dos Slipknot, por acaso =X

    11 Jul 2009, 13:14
  • Dealer16

    Não deves ter visto a mesma actuação de LoG e Machine Head que eu. ._.

    11 Jul 2009, 14:03
  • Crowdwar_

    review muito fraca e pouco imparcial. e o recinto era bom e acessos não faltavam, aquilo era colado à estação de algés, comparado com o SBSR era um sonho.

    11 Jul 2009, 14:05
  • bramblam

    bem, o SBSR era a 50 metros da estação de Sacavém. Gostei de ler o artigo.

    11 Jul 2009, 16:23
  • slayerus_

    Agradeço a quem comentou, de referir também que por 50€ que dei..tive que apontar o mínimo defeito. O preço foi exagerado, além de que por mais 3€, no Rock In Rio, houveram muitas melhores condições!

    11 Jul 2009, 17:57
  • r33play

    R.A.M.P mau som? "Não deves ter visto a mesma actuação de LoG e Machine Head que eu. ._." [2]

    13 Jul 2009, 02:36
  • ezrocker

    Adoro estas reviews ... completamente parciais e fiquei c a sensação de não termos estado no mesmo festival... Quanto ao preço, 50€ pagos para ver 6 bandas no palco principal + 14 bandas noutros palcos, não me parece assim tão desproporcional. Concordo com a nota negativa dos acessos aos WCs.

    13 Jul 2009, 14:30
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