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Steven Patrick Morrissey, nascido em 22 de Maio de 1959 na cidade de Davyhulme, Lancashire, Inglaterra é considerado o maior letrista dos anos 80 e um dos poucos representantes do verdadeiro espírito do rock da década. Amado por muitos, odiado por outros tantos, perseguido por suas opiniões, estigmatizado, execrado, mas antes de tudo um tremendo talento. Morrissey está para os anos 80 assim como Bowie para os anos 70 e Dylan para os anos 60. Após o final do The Smiths, um Morrissey abalado tentou continuar a vida com os restos de sua alma atormentada e seguir cantando suas dores. E para quem achava que ele jamais faria algo, ao menos, passável, surpreendeu-se: com uma série de grandes discos e numerosos singles, Morrissey manteve-se profícuo e talentoso, provando que poderia viver sim sem Johnny Marr, fato que até ele duvidava (ou dizia duvidar). Sua vida, porém, esteve longe de ser calma e só recentemente conseguiu ficar livre do fantasma de sua ex-banda. Morrissey voltou em 2004 com um belíssimo disco, após sete anos sem gravar nada e dando shows pelo puro prazer de tocar e saciar a sanha de seus fãs. Até deixou sua amada Inglaterra e seu quarto em Manchester para viver na América. Morrissey é mais do que um cantor excêntrico: Morrissey representa uma das poucas reservas de autenticidade no mundo tão chato e politicamente correto que o rock hoje propaga. E Morrissey (que iniciou no mundo artístico em 1977) promete continuar incomodando os medíocres e conservadores de plantão. Leia um pouco sobre a vida desse mito e saiba o que ele anda fazendo (e o que fez).

1 - Crise e sucesso

A vida de Morrissey não acabou como a de alguns fãs quando os Smiths implodiram. Ainda que o cantor não conseguisse acreditar que Johnny Marr o havia deixado para sempre, Morrissey sentiu que precisava seguir em frente.

O grupo tinha algumas pendências bastante sérias: a primeira era que haviam assinado um contrato com a EMI e deviam lançar um disco já em 1988. O disco acabou sendo o póstumo ao vivo, “Rank”, mas Morrissey também sabia que não deveria ficar esperando algo acontecer. Por isso mesmo, resolveu entrar em estúdio com o produtor Stephen Street rapidamente e começar a trabalhar em novas composições.

Street assumiu o trabalho de arrumar uma nova banda para o cantor. Um dos contratados foi um velho conhecido de Morrissey; o guitarrista Vini Reilly, líder do Durutti Column. Os dois já haviam tocado em uma antiga banda de Manchester, The Nosebleeds, grupo formado por Billy Duffy, do The Cult.
Vini gosta de contar que a gravação do disco foi quase um pesadelo. Várias coisas conspiravam contra o trabalho: o humor de Morrissey era péssimo, as melodias que Stephen Street tinham escritos para as letras de Morrissey eram convencionais demais, e assim mesmo, ele dava pouco espaço para improvisos. Além disso, Morrissey parecia estar totalmente nu sem Johnny Marr.

“Eu tentei ser o mais honesto possível com ele, pois ninguém era honesto com Morrissey naqueles dias. Ele tem uma personalidade muito forte, centralizadora e cada vez que ele caminhava pelo estúdio, todos ficavam em silêncio, aterrorizados. Ninguém tinha coragem de dizer algo a ele, apenas chegavam perto e o confortavam. Por isso, resolvi conversar com ele por um tempo. Além disso, eu não entendo porque fui chamado para fazer o disco. Stephen poderia ter contratado algum bom guitarrista de estúdio, que teria tido o mesmo resultado. Eu me diverti pouquíssimo: na verdade, só introduzi um French Horn em um sampler e fiz alguns bons solos de guitarras. Mas, o restante, foi terrivelmente tedioso.”

Vini conta que Morrissey tem uma estranha maneira de trabalhar: “ele canta de uma maneira única, pontuando no meio das frases como se fosse o refrão e o refrão como se fosse o meio. Seu fraseado é estranho e tínhamos que mudar o arranjo para que sua voz se encaixasse, mas funcionou muito bem. Na verdade foi o que salvou o disco de ser medíocre. Todo mundo pensa que ele é apenas um cantor, mas a maneira que coloca a voz muda tudo e ele tem um enorme talento. Eu ficava esperando ele entrar com a voz para ver se poderia melhorar um pouco as canções.”
Mesmo nesse clima difícil, Morrissey consegue parir um disco excepcional: Viva Hate. Se as canções não eram tão marcantes como as que fazia com Johnny Marr, seu primeiro trabalho-solo nada deve aos grandes trabalhos com os Smiths.

O disco trazia como grande novidade uma maçaroca sonora que causou um certo estranhamento aos fãs do grupo, afinal, como Morrissey deixou uma bateria eletrônica entrar em uma música sua? E por que tantos arranjos de cordas? e o que são esses ritmos eletrônicos, quase bizarros?

Morrissey ainda não tinha definido exatamente como soaria e por isso permitiu uma abertura maior do que ele próprio permitia nos discos de sua ex-banda, uma das grandes reclamações de Johnny Marr, que temia em ousar nos arranjos com medo de atrair o ódio do cantor.

A primeira canção “Alsatian Cousin”, já abre com um belíssimo e ácido solo de guitarra de Reilly, um tipo de solo que não se havia ouvido em seu trabalho anterior. A segunda canção, “Little Man, What Now?”, comenta um famoso caso de um astro mirm que havia sido colocado pra fora de um programa nos anos 70. “Angel, Angel, Down We Go Together”, com seu arranjo de corda e seu French Horn via sampler é um achado e possui uma letra mórbida.
O disco fecha com uma genial canção em ritmo fúnebre, “Margaret On The Guillotine”, “dedicada” a então Dama de Ferro do governo britânico, Margareth Thatcher. Em um ritmo lento, Morrissey pergunta quando ela morrerá e no final simula uma guilhotina descendo.

E o disco trouxe os dois primeiros grandes compactos solos de sua carreira: as belas e tortuosas “Everyday Is Like Sunday” e “Suedehead”.

“Suedehead” chegou ao quinto posto da parada de sucesso, fato que os Smiths jamais haviam conseguido e a canção ficou tão famosa que chegou ser a mais famosa já feita por Morrissey. “Everyday Is Like Sunday”, ficou em nono lugar e com dois sucessos tão grandes, o disco bateu direto no primeiro lugar dos mais vendidos, repetindo o feito que os Smiths haviam conseguido com Meat Is Muder, de 1985.

Morrissey diria, anos depois, que gosta apenas de algumas partes do disco. “Algumas faixas são muito rápidas e mal feitas. Não sou dessas pessoas que acho tudo meu perfeito. Sei que fiz discos bem acima da média, mas Viva Hate poderia ter sido melhor.”

Tais feitos e as excelentes críticas deixaram o cantor bem mais feliz: era possível sim viver e cantar sem Johnny Marr. Mas os Smiths ainda ocupariam sua vida por um bom tempo…

2 - Dinheiro, dinheiro…

Morrissey saboreou o sucesso por pouco tempo. A primeira a atormentar o cantor foi Gail Colson, que havia trabalhado com os Smiths e ajudado o cantor a arrumar o caos que regia internamente na banda. Mas quando os Smiths acabaram, Morrissey a dispensou e por esse motivo ela estava exigindo uma indenização, furiosa. Mas isso era apenas a ponta do iceberg…
Logo após o disco ter feito sucesso, o cantor teve seu novo single, “Interesting Drug”, embargado na justiça por Stephen Street. Ele alegava que estava fazendo isso para pressionar Morrissey a pagar os direitos que ele tinha como produtor de Viva Hate e que não haviam sido pagos. “Ele desapareceu e como ainda não deu entrada na papelada e não possui um empresário, é impossível achá-lo. Dessa maneira, só me sobrou proibir legalmente seu novo lançamento”. Com isso, a relação entre os dois terminaria em seguida.

Mas tinha mais: Craig Gannon, que havia tocado com os Smiths em 1986 e os ex-Smiiths Mike Joyce e Andy Rourke também queriam sua parte.

Gannon insistia em receber mais do que já havia ganho, mas o caso mais grave era com a antiga seção rítmica dos Smiths. Quando descobriram que não tinham direito a nada pelo legado dos grupo, Andy e Mike ficaram desesperados e resolveram procuram Morrissey e Johhny Marr. Os dois principais compositores ofereceram a cada um deles, 10% dos royalties, que segundo Marr, era a proposta inicial, de 1982. A proposta indignou Andy e Mike que prometeram procurar a justiça para receber o que achavam devido.

Marr ficou irritado, dizendo que não esperava tal atitude de dois antigos amigos, que haviam se esquecido do antigo acordo, que, embora não existisse oficialmente, era um antigo acordo de amigos. “Eu não esperava chegar até isso, até porque eu e Morrissey sempre ficamos com o trabalho mais pesado que era compor e produzir. Mas, enfim, se for necessário passaremos por essa chateação.”

Mike Joyce disse que nunca havia concordado com tal cifra: “o problema de Johnny é que ele só lembra de coisas que o interessam. Eu nunca disse que aceitaria um acordo desses desde o início. Nunca concordei com 10%. Não se trata apenas de dinheiro. Se o acordo tivesse sido esse desde o início eu ficaria quieto, mas me dói saber que depois que nos separamos, só ficarei com essa pequena parte. Obviamente que não estou exigindo nada dos royalties das canções, mas sim do que o grupo faturou com vendagens e tudo mais.”

Morrissey e Johnny tiveram sorte com o baixista Andy Rourke que aceitou os 10% e retirou o processo, deixando Mike Joyce sozinho e com um problema desagradável.
Enquanto os problemas legais ocorriam, Morrissey conseguiu finalmente lançar novos singles: além de “Interesting Drug”, saíram “The Last of The Famous International Playboys” e “Ouija Board, Ouija Board”. O problema agora era outro: críticas contra suas canções. Na virada dos anos 80 para os anos 90, uma nova geração tomava conta das paradas de sucesso: grupos como Inspiral Carpets, Stone Roses, Happy Mondays eram os novos queridos de Manchester e a crítica descia a lenha impediosamente em Morrissey, chamando-o de velho chato. A nova cena indie agora misturava a dance com rock e Morrissey havia ficado para trás assim como os Smiths.

Sobre isso, Morrissey comentou: “faz parte uma geração mais nova querer sobrepujar uma outra e acho que os Smiths já são a anterior. Isso não me incomoda, mas não acho que eu seja tão pouco relevante. Agora ficam inventando que eu quero tocar dance music, como se eu tivesse mudado minha postura sobre esse ritmo. Eu acho o Happy Mondays um bom grupo, mas não vejo nada demais no Stone Roses. Gostaria de sentir algo por eles. Na verdade, o grande problema dos Smiths é que nós nunca conseguimos ter poder sobre nós ou nosso legado. Eu acho incrível que The Queen Is Dead tenha sido eleito o disco do século pela Spin, nos Estados Unidos. Incrível e triste, porque não podemos mais capitalizar a nosso favor. Hoje todos que nos xingam, deveriam nos agradecer, pois abrimos as portas para que essas bandas pudessem tocar.”

3 - Novo disco

Enquanto os problemas o afetavam, Morrissey continuava tentando lançar um novo disco que já tinha título: Bona Drag. Mas como o cantor não conseguia gravar um disco interior resolveu lançar um novo compacto em abril de 1990 e uma de suas melhores composições: “November Spawned a Monster.” A canção trazia como convidada uma nova cantora, que havia deixado Morrissey apaixonado: Mary Margaret O’Hara. Ela havia lançado em 1988 o disco Miss America que seduziu o cantor.

“Há muitos anos que não vejo ninguém cantando suas neuroses pessoais dessa maneira, tão intensa. Me lembrou muito Horses de Patti Smith. Fiquei absolutamente fascinado por ela.”
Seis meses depois é lançado um novo single, chamado “Piccadilly Palare”, com outro convidado especial: Suggs, do Madness. A influência do Madness já era sentida na dupla de produtores - Clive Langer e Alan Winstanley - e Morrissey quis colocar a voz de Suggs na canção por ele ser um cantor da zona norte de Londres, onde se passa a história. “Palare” é uma gíria cigana usada no meio teatral, e que o cantor havia ouvido sendo usada por garotos de programa que andavam por Picadilly, em Londres. Morrissey disse que havia uma certa romantização sobre isso e que às vezes pegava um ônibus e passeava pela região, segundo ele, uma experiência “poderosa”.
Com o projeto do disco abortado, Morrissey aproveitou o título, Bona Drag, e lançou uma compilação de seus compactos-solos nos mesmos moldes que havia feito com Hatful Of Hollow e The World Won’t Listen.

Lançado em setembro de 1990, a coletânea de compactos acabou com os boatos de que Morrissey nunca mais lançaria nada e atingiu o nono posto nas paradas.
Cinco meses depois de Bona Drag, aparece com um novo disco, desta vez um novo trabalho de estúdio com músicas inéditas: Kill Uncle.

Embora seja considerado seu trabalho menos inspirado, Kill Uncle traz bons momentos de Morrissey e uma novidade: pela primeira ele havia arranjado um novo parceiro para suas letras.
O disco marca uma fase um pouco menos conturbada em sua vida. Morrissey havia contratado Fachtna O’Ceallaigh, que havia trabalhado anteriormente com Sinéad O’Connor e com os Boomtown Rats de Bob Geldof, para cuidar de seus negócios. E a primeira providência de Fachtna foi arranjar um novo parceiro para o letrista. O escolhido foi o guitarrista Mark Nevin, ex-Fairground Attraction e que havia trabalhado com Kirsty MacColl.

Nevin ficou entusiasmado com a idéia de trabalhar com Morrissey e o disco acabou saindo em março de 1991. O LP vendeu bem, ficando na oitava colocação dos mais vendidos e rendeu dois bons singles: “Our Frank” e “Sing Your Life”, que trazia no seu lado B uma grande atração: uma versão de “That’s Entertainment”, do The Jam.

O disco teve uma canção que trouxe alguma polêmica, “Asian Rut”. Alguns acusaram Morrissey de racismo, mas a idéia era justamente mostrar os crimes raciais que os imigrantes sofrem no Reino Unido.

Com dois discos novos e uma coletânea de compactos, uma questão deixava fãs e crítica curiosos: quando Morrissey voltaria aos palcos? Afinal, ele não subia em um desde 1986, com os Smiths.

4 - Volta aos palcos

Mas a dúvida logo terminou, já que Morrissey embarcou em uma excursão para promover o disco. Sobre isso, ele falou: “eu sei que demorei muito tempo para voltar a cantar ao vivo, mas eu precisava desse descanso. A minha vida tem estado confusa e precisei desse tempo para ver se eu ainda queria subir em um palco e também para me revigorar. Eu ainda amo cantar para as pessoas, amo ver todos perto de mim. O palco é uma extensão de minha casa, o que parece estranho para muitos, já que me consideram um recluso. Na verdade eu sou um recluso, mas apenas quando não estou tocando ou cantando. Outro motivo é que agora tenho um bom número de novas canções para apresentar e não preciso ficar mais escorado nos antigos sucessos dos Smiths. Queria provar a mim mesmo que ainda podia fazer boas canções.”
Para a turnê, Morrissey montou um banda com alguns músicos que ficariam com ele por um bom tempo: os guitarristas Alain Whyte e Boz Boorer (que viria a ser o mais regular parceiro ao longo do tempo), o baixista Gary Day e Spencer Cobrin, na bateria. Com esse quarteto, Morrissey teria um grupo com alta dose de adrenalina e que fazia um rock and roll básico, alto e virulento. Essa formação ficaria solidificada durante anos com mudanças, apenas no baixo, entrando Jonny Bridgewood e saindo Gary Day.

Morrissey estava tão feliz com seu grupo que respondeu a uma curiosa indagação de um fã, que queria saber se preferia os Smiths ou seu atual grupo: “Bem se os Smiths e esses músicos aparecessem ao mesmo tempo, ficaria com meus novos companheiros.”

E 1992 seria um ano muito interessante na vida do cantor…

5 - Gravando com um ídolo

Em julho de 1992 Morrissey aparece com um novo disco, um dos pontos altos de sua carreira, apesar de não conter nenhum grande hit: Your Arsenal. Mas o que mais chama atenção no disco, além da alta dosagem de rock presente é o nome do produtor: Mick Ronson.

Mick Ronson foi um dos mais famosos guitarristas dos anos 70, peça-chave no grupo The Spiders from Mars, que acompanhou David Bowie durante a fase Ziggy Stardust entre 1972 a 1973. Morrissey era um fã ardoroso do glitter rock e de Bowie dessa época, e conheceu Mick Ronson e a simpatia entre eles foi mútua.

“Mick é um músico muito refinado e foi um dos maiores nomes dos anos 70 e fez também dois discos solos brilhantes. Foi um grande prazer trabalhar com ele. É uma das pessoas mais bacanas que já conheci.”

Nessa época, Ronson já sofria de um câncer que o mataria no ano seguinte, mas Morrissey disse que, em nenhum momento, viu ou ouviu ele se queixar disso.

“Ele se recusa que isso interfira em sua vida e não mostra nenhum sinal de mágoa ou tristeza com isso. Pelo contrário, ele é uma companhia extremamente agradável.”
Your Arsenal mostra um disco pesado, com Morrissey cheio de adrenalina e pegando pesado como nunca. E, claro que algumas polêmicas o acompanharam:

A primeira delas é o personagem interno do encarte, Charles Richardson. Charles era o irmão mais velho de uma gangue que levava seu sobrenome e que ficou famosa nos anos 60 por realizar vários combates com outra gangue londrina, os Krays. Morrissey é fascinado pelo tema, principalmente porque, apesar de toda a rivalidade, possuíam um código de ética e de respeito entre eles.
A outra polêmica estava na faixa “The National Front Disco” em que exprimia todo seu ódio com o ressurgimento da disco music. Aliás, o tema rendeu tanta polêmica que o semanário inglês New Musical Express realizou uma matéria de capa da edição de 22 de agosto de 1992 mostrando que Morrissey não passava de um grande racista, e criticava duramente seus atos. Uma matéria, diga-se de passagem, cheia de más intenções e altamente tendenciosa.

Morrissey, aliás, se dizia cansado de tanta perseguição. “Eu não aguento mais ver meu nome envolvido em tanta mentira. Eu não me importo com o que escrevem de mim, mas acho nojento que fiquem inventando coisas sobre minha pessoa para venderem mais. Veja esse livro que lançaram recentemente - Morrissey & Marr - The Severed Alliance, de Johnny Rogan. Como é possível alguém escrever tanta mentira? O mais triste é que ele vai ficar rico com isso. E ainda chamam o livro de ‘obra definitiva sobre os Smiths!’ A bio definitiva dos Smiths só será escrita quando eu a fizer ou indicar alguém para a tarefa! Ele me ligou apenas uma vez para ouvir uma frase e desligou. E como não comentei ou nada fiz legalemente contra ele, a mídia presumiu que ele está correto. Essa é a pior parte de tudo, dessa indústria. E o pior de tudo isso é saber que faço parte também.”

Uma das grandes curiosidades desse disco está em uma canção obscura chamada “I Know It’s Gonna Happen Someday”.

Essa canção foi gravada por David Bowie em 1993 em seu disco Black Tie White Noise. Esse álbum marca a renconciliação de David com Mick Ronson, convidado para as gravações. Bowie contou em um especial que quando Ronson chegou disse a ele como Morrissey o admirava e queria copiar o seu jeito de cantar da fase Ziggy. Bowie então pediu que Ronson escolhesse uma canção de Your Arsenal para ele gravar “copiando” Morrissey, em seu estilo vocal. As duas versões, diga-se de passagem, são imperdíveis.

6 - Disco ao vivo

Em abril de 1993, Morrissey lança um poderoso trabalho, o disco ao vivo, Beethoven Was Deaf. Esse álbum marca, de uma certa forma, a saída do cantor da grande mídia. Se Your Arsenal foi bem nas paradas, chegando ao quarto posto, o novo disco teve uma vendagem fraca, ficando apenas em 13º lugar.

O disco foi quase inteiramente gravado em dois shows feitos em Londres, no dia 20 de dezembro e outro dois dias depois, em Paris, no Zenith. Das 16 músicas, sete foram gravada em Londres e as outras nove em solo francês, apesar de algumas informações que constavam em alguns encartes, afirmarem, incorretamente, que todas as faixas haviam sido gravadas na França.

E entre as 16 canções não havia nenhuma dos Smiths. Morrissey havia passado por uma imensa turnê mundial, lotando shows em todos os lugares do planeta. Em uma entrevista para promover o disco, o cantor afirmou que jamais ficou nervoso antes de subir ao palco.

“Se você olhar para o palco e ver o lugar onde deverá estar, você poderá ficar um pouco apreensivo. Mas se você sentir que não pertence a aquele lugar, então ficará mortalmente gelado quando lá pisar. Eu não gosto muito de dar shows, principalmente por causa das viagens. Odeio aviões, toda a burocracia e fico irritado quando chego a um lugar e não encontro uma comida que me agrade. Mas quando subo em um palco, esqueço de tudo isso. É um local bem confortável de se estar.”

Após Beethoven Was Deaf, Morissey entraria em uma espiral que deixaria sua vida de pernas para o ar, tanto na parte financeira com os inúmeros problemas herdados ainda dos Smiths como uma baixa em sua popularidade e venda.
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Nesta segunda e última parte da biografia de Morrissey abordaremos os anos mais tumultuados de sua vida: o processo contra os ex-Smiths Mike Joyce e Andy Rourke, a guinada na carreira e toda a confusão que deixou o cantor por sete anos sem poder lançar um novo disco, embora tivesse um projeto inteiro construído. Foram nesses anos que Morrissey resolveu ir embora da Inglaterra e morar na Irlanda e depois na América. Morrissey conheceu a raiva e a perseguição de perto, mas sua volta triunfal em 2004 com o belíssimo You Are the Quarry e a atual turnê mostram que ele ainda continua vivo e relevante, para desespero de seus detratores e alegria de seus discípulos. Mostrando coragem, Morrissey falou mais do que devia e nunca deixou de reclamar quando se achava no direito. Ainda que tenha pago um preço bem alto…

1 - Mudança de gravadora

Morrissey começou o ano de 1994 com um novo disco, Vauxhall and I e o mesmo ritmo de shows dos anos anteriores.

Considerado pelo próprio Morrissey como seu melhor disco até então, superando até os seus insuperáveis discos com os Smiths, o cantor mostrava grande felicidade com o rumo de sua vida. E, em uma entrevista para a revista Q fez uma revelação insuspeita: ele, Morrissey era um grande apaixonado por futebol e um bom artilheiro!
Nesta entrevista, Morrissey demonstrou um bom conhecimento esportivo, criticando a comissão técnica e alguns jogadores já em decadência, como Paul Gascoigne e afirmou, que às vezes, batia suas peladinhas e fazia seus golzinhos. Quem diria…

Mas, Morrissey não é um atleta propriamente falando (as fotos mais novas demonstram bem isso) e sim um cantor. E em Vauxhall and I, confessou que tinha feito seu melhor disco e explica a razão.

“Esse trabalho fala da minha relação de amor com Londres. Por eu ter nascido e sido criado no norte da Inglaterra, eu tinha obrigação de odiar Londres. Mas gradualmente isso foi se alterando, conforme eu fui descobrindo a felicidade e um pequeno círculo social que eu não tinha em Manchester. Minha vida mudou de tal maneira em Londres, que me senti muito mais feliz e confortável lá. Só de pensar em fazer um vôo de volta de algum país para Londres minhas bochechas ficavam mais rosadas e meus olhos mais brilhantes… até eu ser revistado na alfândega, claro…”

O disco trazia ainda algumas canções falando de um tema que sempre fascinou Morrissey: a violência. “‘Spring-Heeled Jim’ e ‘Now My Heart Is Full’ são canções que realmente falei sobre violência, embora eu não tenha feito justiça às histórias verdadeiras.”
Morrissey estava atravessando um período de perseguição da mídia, que ainda o acusava de racismo. “É uma questão que todos falam de mim, apenas para venderem jornais ou ficarem alimentando uma imagem que não corresponde à minha pessoa, na realidade. E eu sei que os boatos são mais importantes do que a verdade hoje em dia, especialmente na Inglaterra, onde temos uma indústria da mentira. É uma coisa bem inglesa e, de certa forma, é um elogio à minha pessoa, porque ainda devo ser muito amado e incomodar. Pessoalmente me sinto muito feliz ultimamente. Eu não quero saber desses prêmios todos - Grammy (que Morrissey foi indicado por Your Arsenal) ou BPI - porque eles não me dizem nada. Não preciso que alguém me diga o quão bom é meu disco ou não. Eu sei exatamente quem sou e sei também que fiz algumas canções ruins nos últimos tempos. Aliás, qual é a importância de um prêmio como esse? Para mim, o mais importante é terminar um disco que me deixe feliz e não vai ser uma estátua que me trará essa felicidade.”

Mas Morrissey teve algumas tristezas, como a morte de alguns amigos, Mick Ronson incluso nesta lista. Os outros foram Tim Broad, diretor de alguns vídeos para Morrissey e seu antigo empresário Nigel Thomas.
“Eu conversei com Mick dias antes dele morrer e ele me parecia tão feliz, tão entusiasmado e falava que queria voltar a compor algumas canções comigo e voltarmos ao estúdio. Ele sempre teve uma atitude positiva sobre sua doença e sempre fazia planos para o futuro. E dias depois sua esposa me ligou para dizer que ele havia morrido. Foi muito doloroso e me sentia tão ligado a ele, que passei muito mal e nem conseguir ir ao seu funeral. As três mortes me deixaram arrasado e muito deprimido. Tim e Mick sabiam que iriam morrer, mas Nigel foi repentino e isso fez de meu ano, terrível.”

Mas um das coisas boas daquele ano foi poder trabalhar com o produtor Steve Lillywhite. “Ele é um cara muito talentoso e um pessoa muito bondosa e me ajudou muito.”

Vauxhall and I marcou o encerramento de um ciclo com a EMI, após seis anos de relacionamento profissional. E Morrissey foi se alojar na casa de um antigo ídolo…

2 - Na casa de Elvis Presley

No ano seguinte, Morrissey lança um novo disco, talvez o mais estranho de toda sua carreira: Southpaw Grammar.

Para começar, o disco só tinha oito faixas, sendo que a primeira, “The Teachers Are Affraid Of The Pupils” tinha mais de 11 minutos e a última, “Southpaw”, mais de 10 minutos. Estaria Morrissey fazendo um disco de rock progressivo?

“Bem, realmente gostaria de continuar de onde o Van Der Graaf Generator parou. Mas, não, na verdade nós apenas não conseguíamos parar o gravador. Veja, ainda são canções pop, certo? Nós evoluimos enormemente como músicos desde que nos tornamos um grupo e isso possibilitou experimentarmos mais em estúdio.”
O disco marca a estréia de Morrissey pela gravadora RCA. “Eu saí da EMI porque estava lá há muito tempo. Foram sete anos e deixei muitos bons amigos. Apenas me pareceu a coisa certa de se fazer. E vim para a RCA porque o nome soa bem, não? Além disso era a casa de Elvis Presley.”

Morrissey afirmava que a vida na Inglaterra estava terrivelmente difícil para ele e que pela primeira vez pensava em morar em outro país: “alguns realmente esperam que eu me mate ou suma de vez. Não que eu vá fazer o que os outros desejam, mas fico pensando se não é uma boa idéia. Alguns me perguntaram o que achei do suicídio de Kurt Cobain. Bem, eu fiquei triste e com inveja ao mesmo tempo. Ele teve coragem para realizar o ato e sempre admirei pessoas que se auto-destróem porque eles estão no controle de seus atos e se recusam a continuarem infelizes, o que mostra um tremendo auto-controle. Deve ser assustador sentar, olhar para um relógio e dizer que não mais fará parte desse mundo em 30 minutos. E o mundo moderno adora esse tipo de coisa. Mas eu não darei esse gosto a ninguém.”

Embora o disco tenha algumas músicas difíceis isso não impediu que ele chegasse ao quarto lugar das paradas. Mas mesmo com o sucesso, Morrissey continuava perseguido pela imprensa e até por algumas novas bandas, como o Oasis, também de Manchester.

“Tudo começou porque fiz um comentário irônico e alguém já saiu publicando em primeira página. Era natural que eles viessem me criticar. Mas eu gosto do grupo e acho Noel muito divertido. Fico feliz que um grupo de Manchester esteja fazendo sucesso novamente.”

E, embora tenha se dado bem na RCA, Morrissey deixou o selo no ano seguinte. E pela primeira vez estava sem uma casa em qualquer lugar, já que as gravadoras inglesas simplesmente o baniram. Mas Morrissey tinha construído uma imensa legião de fãs nos Estados Unidos e em pouco tempo assinava com a Mercury para lançar seu último disco dos anos 90…

3 - Maladjusted

Nova casa de todas as maneiras. Após deixar a EMI e a RCA, Morrissey resolve radicalizar e mudar também para Los Angeles. Mas a primeira experiência durou pouco, apenas duas semanas.

“O fato é que deixar a Inglaterra me aterrorizou. Sim, a Inglaterra me enlouquece, mas não me imagino vivendo em outro país. Morrissey tinha também uma casa em Dublin, na Irlanda, onde passava algum tempo, mas sem jamais morar na cidade.

E tendo novamente a produção de Steve Lillywhite pelo terceiro disco seguido, Morrissey entrou em estúdio e produziu um portentoso trabalho: Maladjusted.
Maladjusted é seu disco mais raivoso e revoltado. Culpa dos inúmeros problemas legais que chegavam ao final, como o processo de Mike Joyce contra ele e Johnny Marr e que acabou sendo ganho pelo ex-baterista. Mike Joyce afirmou, após terminado o julgamento, que não fazia isso por dinheiro, embora o montante fosse de grande utilidade para escorar seu filho e esposa. Joyce ganhou cerca de 1 milhão de libras e Morrissey e Marr ainda tiveram que arcar com as custas de todo o processo de quase 10 anos, que ficou em mais 250 mil libras.

“O mais triste é que fui chamado de mentiroso, truculento e traiçoeiro e isso maculou minha ficha.” Mas o pior estava para vir, pouco tempo depois, quando a Mercury faliu. O pior é que Morrissey havia assinado um contrato longo e ficou preso a ele, o que impedia que ele pudesse imediatamente ir para um outro selo.
Maladjusted fez pouco sucesso, embora seja um bom disco, bem gravado e onde ele disparou farpas contra seus ex-colegas Mike Joyce e Andy Rourke.

Após o processo de Joyce, Andy Rourke pensava em reabir o caso contra Morrissey e Marr, dizendo que as 83 mil libras que havia recebido anos antes não era suficiente para viver e que queria seus direitos. Morrissey, contrariando os conselhos, resolveu contra-atacar legalmente. “Nunca vou perdoar Mike e nem Andy. Como podia ficar sendo xingado pelo juiz que arrancou dinheiro meu apenas porque achou que eu era o que ele pensava?”

Embora o ódio tenha pautado seu disco, uma faixa merece um destaque: “Wide to Receive”. Morrissey conta que a fez pensando nas pessoas que se conhecem pela internet. “Sempre achei curioso ver as pessoas angustiadas em frente a um computador, esperando um e-mail que nunca chega.”
Logo após o julgamento, Morrissey mudou definitivamente para a América, Los Angeles, em especial. Lá, comprou uma casa projetada por Clark Gable, que a deu de presente para Carole Lombard, que morreu em um acidente de avião antes de mudar para lá. Depois a casa teve como morado o ilustre escritor F. Scott Fitzgerald, autor de O Grande Gatsby.

Morrissey começou então a fazer shows com pouca ou nenhuma ajuda. Batizou sua turnê de “Oye Esteban”, segundo ele em homenagem ao cantor El Vez, um mexicano que plagia Elvis Presley.

Entre 1997 e 1998, duas coletâneas foram editadas: Suedehead: The Best of Morrissey reuniu seus maiores sucessos durante os anos na EMI e My Early Burglary Years é uma colcha de retalhos, embora interessante.
Morrissey só conseguiu ficar livre da Mercury no final de 1999 quando o selo foi comprado pela Universal e o liberaram. Mesmo assim, Morrissey seguiu em frente com seus shows e chegou a passar pela América do Sul, inclusive no Brasil, em 2000, onde fez shows lotados e concorridos. Morrissey chegou a dizer que amou a platéia brasileira e considerou sua estadia aqui como uma das melhores de sua carreira.

Enquanto não achava uma gravadora, começou a compor novas canções. Com um provisório título de “Irish Blood, English Heart”, o disco falaria dos anos de ostracismo e de suas origens. Em uma entrevista de 1999, Morrissey mostra como ser um inglês com sangue irlandês é um fardo.

“Muitos dos professores que eu tive eram irlandeses, inacreditavelmente brutais e, em muitos casos, homossexuais. É chocante pensar no que era permitido e como as crianças eram mal tratadas dia após dia. Minha educação em Manchester foi violência e brutalidade. Assim que você entrava na sala era cruelmente espancando. Me ensinaram a não ter auto-estima e sentir vergonha sem motivo algum. Veja, o que aquele juiz disse ficará nos arquivos para sempre e se eu for processado no futuro, basta alguém recorrer àquelas palavras e perderei sempre. Eu era da classe trabalhadora e fui feito para me sentir um camponês.”
Morrissey tocou algumas dessas músicas em shows durante os anos de 2000 a 2002. Em um programa na BBC da radialista Janice Long, Morrissey falou de sua vida em Los Angeles e de seu futuro. Afirmou que nunca mais viu nenhum dos ex-Smiths e que não há a menor possibilidade de reestabelecer a amizade com Johnny Marr, após tantos problemas.

Sobre Los Angeles, disse que gosta da cidade por duas coisas: tem muito sol e porque ele pode andar calmamente pelas ruas sem ser incomodado como é o caso na Inglaterra. Morrissey passou uns meses também na Irlanda, em sua casa, e disse que o país é muito mais receptivo que a Inglaterra.

Em 2003, Morrissey surpreendeu ao anunciar que havia assinado com a Sanctuary Records, que estava ressucitando o selo Attack para o novo disco do cantor.

O Attack foi um selo que existiu entre 1969 e 1980 e voltado para o reggae. Na entrevista coletiva, o diretor Merck Mercuriadis comentou: “Morrissey é um dos mais importantes artistas dos últimos 20 anos e estamos maravilhados que ele tenha dado a nós a oportunidade de liderar uma importante fase em sua carreira. com um acordo como esse. No início das discussões, Morrissey provou ser um grande conhecedor de nosso catálogo da Trojan Records e expressou o interesse em usar o selo da Attack no lançamento de seus discos, assim como ele usava o selo da HMV nos lançamentos da EMI. Estamos muito gratos em acomodá-lo e esperamos que achemos novos artistas para usar o selo da Attack. A Attack Records será uma reflexão de sua criativa visão e de uso exclusivo. A Sanctuary Records Group inclui artistas da Rough Trade Records, Fantastic Plastic, Trojan Records e bandas como The Strokes, Spiritualized, The Libertines, Ween, Death In Vegas, British Sea Power, Pet Shop Boys, The Beatings, Tricky and The Futureheads.”
E assim, em 2004 Morrissey lança You Are the Quarry, um clássico e um dos melhores (ou o melhor) disco do ano.

Mantendo a dupla de guitarristas Boz Boorer e Alain Whyte, além do antigo baixista Gary Day e o baterista Dean Butterworth, Morrissey se travestiu de gângster na capa e como a metralhadora indicava, saiu atirando para todos os lados.

Morrissey não perdoou o estilo de vida dos norte-americanos, na primeira faixa “America Is Not The World”. A segunda é a poderosa “Irish Blood, English Heart” e a terceira a genial “I Have Forgive Jesus”, onde conta um pouco da violência que sofria quando criança. Para quem acha que entende e conhece Morrissey à fundo, ele dedicou “How Can Anybody Possibly Know How I Feel?” e aos idiotas que tanto o perseguem, “The World Is Full of Crashing Bores”.
Embora, seja um disco com duas guitarras, o clima é mais lento e Morrissey impressiona pela excelente forma vocal com que executa as composições. Outra canção que merece comentários é a cômica “All The Lazy Dykes”, algo como “todas as sapatonas vagabundas”.

Desde que o disco saiu, Morrissey segue inabalável dando shows pelo mundo e no final de março de 2005, o mundo conhecerá um outro disco ao vivo, Live At Earls Court .

Se alguém puder dispor de um bom dinheiro e tiver interesse em ter todos os singles de Morrissey nos anos em que ele gravou pela EMI, de 1988 a 1995 pode adquirir duas preciosidades, lançadas em 2000: The CD Singles, Vol. 1: 1988-1991 e The CD Singles, Vol. 2: 1991-1995, que contam com a arte original de cada single.

Discografia

Viva Hate (1988)
Bona Drag (1990)
Kill Uncle (1991)
Your Arsenal (1992)
Beethoven Was Deaf (1993)
Vauxhall and I (1994)
Southpaw Grammar (1995)
World Of Morrissey (1995)
Suedehead: The Best of Morrissey (1997)
Maladjusted (1997)
My Early Burglary Years (1998)
The CD Singles, Vol. 1: 1988-1991 (2000)
The CD Singles, Vol. 2: 1991-1995 (2000)
The Best of Morrissey (2001)
Under the Influence (2003)
You Are The Quarry (2004)
Live At Earls Court (2005)
Ringleader of the Tormentors (2006)
Years of Refusal (2009)
Morrissey Swords (2009)

Atrações em destaque

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