Há exatos alguns minutos atrás descobri que Nightjar significa uma espécie de pássaro de hábito noturno que se alimenta de insetos... Interessante, não? De certa forma me identifico a respeito do fato de ter hábito noturno. A ambientação dessa é soturna. Começa com alguns leves toques de sino para dentro de alguns segundos, a atmosfera árida chegar. Essa talvez seja a faixa mais obscura e misteriosa do Jon Hopkins, ainda considerando que seu vasto material normalmente preencha essas características. Essa música se tornou marcante pra mim, creio eu, quando a escutei ininterruptamente durante uma madrugada. Acho que sem nenhuma razão em específico. Apenas degustando sua gélida jornada. O piano, as batidas, as progressões. Tudo louvável. Aconselhável escutar em algum momento, sozinho, às escuras, observando alguma paisagem e, melhor, pensando em algo que você ama. Mas inevitavelmente sempre me pego a relacionando com vida, natureza e tudo isso. E, do outro lado da coisa, ainda não consigo vê-la como uma música muito positiva. Consigo desenhar um homem, desiludido, ainda encontrando beleza na vida e, decididamente, se apegando a isso - pois é o que, no final das contas, resta-se pra se apegar.
Melhor Trecho:
Instrumental
Título:
Hollywood on My Toothpaste
Intérprete: Télépopmusik
Composição: Fabrice Dumont,
Michael Giffts e
Stephan Haeri
Álbum/Single: Angel Milk (2005)
Sobre o artista: Télépopmusik é um grupo francês eletrônico (downtempo; trip hop) consistido por
Fabrice Dumont,
Stephan Haeri e
Christophe Hetier. A carreira deles ainda é bem pequena, tendo seu início em 1998 e seu primeiro álbum,
Genetic World (2001), só lançado 3 anos depois. Mas foi o
Angel Milk (2005), que mais me chamou atenção. Seja pela capa intrigante ou, depois de escutá-lo, suas melodias um tanto melancólicas e desalentadas, porém bastante criativas. O lírico é relatável, ainda que comumente seja depressivo. Lembro que os conheci há pouco tempo atrás, quando, aqui mesmo no LastFM, vi que o
Röyksopp (uma das minhas bandas favoritas), tinha eles como músicos relacionáveis. Conferi o Angel Milk e, pra minha surpresa - não tanta avaliando que estava numa condição favorável - ele se tornou um dos inclusive álbuns favoritos. Principalmente em virtude das letras.
Sobre a música: A música parcialmente descreve um cenário bem parecido que tive que lidar há semanas atrás. E de certa forma talvez descreva, mais fielmente ainda, alguns obstáculos que ela mesma tenha enfrentado ou ainda enfrente. É aquela coisa toda da obsessão: você amando alguém e esse alguém, sabendo disso, prossegue alimentando aquilo com falsas esperanças - parece que pelo simples fato de ter alguma satisfação em ver você desolado e visivelmente vulnerável. É, mais uma vez, o amor não correspondido sendo focado. Mas de uma forma bastante radical e trágica, mostrando um narrador perdidamente dependente. O que, de um jeito ou de outro, já fui em alguns relacionamentos. Ela é interpretada em um rap, transposto por uma ambientação enigmática e, às vezes, rude. A forma como os versos são ditos e, conforme a melodia áspera progride, transmite uma real sensação de desespero e confusão por parte do narrador. Nem há muito o que dizer aqui, mas sim ler a letra. Ela fala por si só... A guitarra, ao fim, é indescritível.
Melhor Trecho:
"It was a game to you
Never a game to me
Now you’re waiting to see what I’ll do next, but like a reflex
I already know everything you said
Last night was just another test, just another way
For you to mess with my head"
Título: No Excuses
Intérprete: Air France
Composição: Joel & Henrik
Álbum/Single: No Way Down (2008)
Sobre o artista: Air France é uma dupla eletrônica (disco; dance; eletropop) sueca de Gotemburgo composta por Joel e Henrik. O fator indie é tanto que não sei nem o nome deles completo, acredita? Eles possuem apenas dois EPs:
On Trade Winds (2006) e
No Way Down (2008). Quem quiser conferir,
clique aqui para ir ao MySpace.
Sobre a música: Conheci essa música inusitadamente em um programa de rádio em que o
Pet Shop Boys escolheu algumas das músicas preferidas deles da década (se não me engano, foi na Absolute Radio). Assim que ouvi, prontamente me interessei e conferi esse EP: simplesmente maravilhoso. Do início ao fim. Às vezes até ainda penso em colocá-lo como um dos meus álbuns favoritos...
No Excuses é magnífica. Uma das melodias mais lindas que escutei na minha vida. Vivaz, jovial, orgásmica, esplêndida! É um "Welcome!" efusivo à vida!
Melhor Trecho:
"No excuses left
Waiting to fail, but not quite yet"
Título:
Nobody Loves You (When You're Down And Out)
Intérprete: John Lennon
Composição: John Lennon
Álbum/Single: Walls And Bridges (1974)
Sobre o artista: Bom... Quem não conhece John Lennon? O mito. A lenda. Letras estupendas e idiosincráticas. Sem dúvida um dos maiores artistas do século. Singular. Único. Enfim, difícil defini-lo com meras palavras.
Sobre a música: Confesso que fiquei com dúvida em qual música escolher dele.
Watching The Wheels,
Imagine ou
Happy Xmas (War Is Over)? E ainda sobrava
God... Mas
Nobody Loves You (When You're Down And Out) certamente é uma das faixas dele que mais me identifico. Acho que nunca ninguém tinha sido tão direto, espontâneo e inteligente ao afirmar a frase que intitula essa música. As passagens "nobody loves you when you're down and out (ninguém te ama quando você está pra baixo)" e "everybody loves you when you're six foot in the ground (todos te amam quando você está por cima)" são impagáveis. Acho que há pouco mais de verdade no mundo caso se excetua essas duas ponderações... Infelizmente, em boa parte dos casos - e pessoas - é assim que funciona. E como é verdade que ninguém te ama mesmo quando você está na pior, não é mesmo? Ninguém. E, já ia me esquecendo: "It's all show biz!" Dizem que essa música foi escrita para o
Paul McCartney... De qualquer forma, é um retrato venerável da sociedade - em uma das suas piores crueldades.
Melhor Trecho:
"Nobody loves you when you're old and grey
Nobody needs you when you're upside down
Everybody's hollerin' 'bout their own birthday
Everybody loves you when you're six foot in the ground"
Título:
Alpha Male
Intérprete: Röyksopp
Composição: Svein Berge e
Torbjørn Brundtland
Álbum/Single: The Understanding (2005)
Sobre o artista: Röyksopp é uma dupla eletrônica (downtempo; chill-out; dance; eletropop) provinda de Tromsø, Noruega. Lembro que os conheci por meio de uma compilação da Ministry of Sound (
Very Best of Chillout Sessions) de 2003, a partir da música
Eple. Recordo que, de imediato, essa não foi uma das que me chamaram mais atenção. No entanto, conforme o tempo, foi se tornando uma das minhas favoritas. Dentro de alguns dias já estava escutando o
Melody A.M., primeiro álbum dos nórdicos, e
The Understanding, segundo e talvez um dos mais populares deles. Engraçado que custou algumas semanas pra eu gostar do segundo trabalho e, em contrapartida, o primeiro instantanemante me fisgou, sendo
Poor Leno,
Sparks,
In Space e
Remind Me uma das minhas pediletas. Era um Röyksopp mais experimental e relaxante. No The Understanding, a sonoridade passou a ser um pouco mais robusta e amigável (leia-se acessível), com canções mais edificantes (
Only This Moment;
What Else Is There?) e trechos que mantiveram a ousadia já anteriormente exprimida (
Alpha Male;
Dead to the World). Esse ainda continua sendo meu álbum favorito e provavelmente o que mais escuto deles. Mais um que adquiri apreço ouvindo durante o caminho até minha faculdade, no ônibus. Dentre suas influências,
Mike Oldfield,
Talking Heads e
Art of Noise marcam presença.
Sobre a música: Orgásmica. Acho que já usei essa palavra aqui antes, não? Mas é a que melhor a define. Uma excitante erupção sequencial de sintetizadores. Um crescendo se inícia brando e indulgente para se transformar em um viril e elusivo instrumental que, ao final, recesa novamente. Uma cativante viagem... Se prepare, aperte os cintos e aproveite a jornada! Foi difícil escolher, mas acho que essa é minha favorita deles. Alguns notam uma pequena semelhança com o
Pink Floyd por aqui. E eu, sob alguns ângulos, concordo. Ainda que
Tangerine Dream e
Kraftwerk fossem os nomes mais adequados.
Melhor Trecho:
Instrumental
Título: You Can Close Your Eyes
Intérprete: Ben Taylor,
Carly Simon e
Sally Taylor
Composição: James Taylor
Álbum/Single: Into White (2007)
Sobre o artista: Infelizmente conheço bem pouco sobre a Carly Simon - algumas mais famosas e os últimos dois álbuns dela:
Into White (2007) e
This Kind Of Love (2008), sendo que o recém-lançado
Never Been Gone (2009), ainda não escutei. Mas ela é bem popular nos Estados Unidos, seu país de origem. Carly nasceu em Nova Iorque e acumula, entre seus sucessos, faixas como
You're So Vain,
Nobody Does It Better e
You Belong To Me. Ela também é conhecida pelo seu relacionamento com
James Taylor, um dos maiores compositores norte-americanos, do qual ela teve dois filhos:
Sally Taylor e
Ben Taylor, que graciosamente estão presentes nessa música descrita logo abaixo...
Sobre a música: Originalmente escrita pelo seu antigo companheiro e pai dos seus dois filhos,
James Taylor, nessa nova versão, em piano, ela é entoada por ela com a colaboração de ambos. Uma carinhosa união em família - sejam pelos vocais, compartilhados entre os três, simultaneamente, ou a composição lírica. Apesar da música ser meio triste e ter um ar de despedida, sempre tenho uma sensação confortadora. O melhor momento é ao final, quando, repetindo ao receptor que tudo ficará bem e que ele pode fechar seus olhos, o narrador inesperadamente deixa um trecho dos seus dizeres incompletos, denotanto que de fato tenha os deixado. Essa é possivelmente uma das músicas mais bonitas e tocantes pra mim, embora nem mesmo goste tanto - talvez porque desconheço boa parte - dos trabalhos nem dela e do James - embora
Sweet Baby James tenha sido cogitada nessa lista.
Melhor Trecho:
"So close your eyes, you can close your eyes, it's all right
I don't know no love songs and I can't sing the blues anymore
But I can sing this song and you can sing this song
When I am gone, ooh, when I am gone, ooh, when I..."
Título: True Colors
Intérprete: Phill Collins
Composição: Tom Kelly e
William Steinberg
Álbum/Single: Hits (1998)
Sobre a música: Engraçado que essa música é original da
Cyndi Lauper e escrita por
Tom Kelly e
William Steinberg, versão que não gosto tanto quanto a dele, embora tenha sido a primeira. Não me recordo muito bem quando a escutei pela primeira vez - é provável que esteja em algum canto pouco inteligível da minha infância - mas lembro quando ela se tornou uma das minhas favoritas de todos os tempos: algumas semanas atrás, quando estranhamente comecei a prestar atenção nas letras. Acho linda. Com um narrador determinado em encorajar sua suposta amiga(o) ou companheira(o). É uma balada bem bonita e uma das minhas faixas noturnas. O estranho é que gosto de escutar quando estou um pouco triste e cabisbaixo. Literalmente feroz quanto ao embaraçoso rumo que nossa sociedade tomou e anda tomando... Mas parece que é assim mesmo, né. De qualquer forma, acho uma música positiva - não tão "complexa" e bastante pop, do jeito que os indies mais orgulhosos odeiam - e espero que faça sentido pra muitos mais por aí.
Melhor Trecho:
"But I see your true colors
Shining through
I see your true colors
And that's why I love you
So don't be afraid to let them show
Your true colors
True colors are beautiful,
Like a rainbow"
Título:
Love Will Tear Us Apart
Intérprete: Joy Division
Composição: Bernard Sumner,
Ian Curtis,
Stephen Morris e
Peter Hook
Álbum/Single: Substance (1988)
Sobre o artista:
Sobre a música:
Melhor Trecho:
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